quarta-feira, 21 de outubro de 2009

... verão


É verão

Cai a noite
entre marcas do passado
borbulhante
refletindo o tempo
é verão
mergulhado em ritmos
no fim do dia
vejo tudo quebrado
entre o teto anil e o chão barrento
a conversa ao lado
transborda e enche de sinais
a mágica sintonia entre desiguais

São Pedro - 07/09/2008 - 05h45min: 10

memória



Resvala no crepúsculo da memória

réstia sonolenta da verdade

arrogante escuto a voz do medo
noturna altivez, folhas da vida
cisma intacta, sozinha

ilusão... continuo a caminhar estacionada em gotas
saudade pedaços imutáveis
canção de lua cheia nas lembranças inacabadas

ócio reverso da imaginação, outra vez
paixão das escolhas entornando fragmentos despidos
união e o tempo velho

letras definhadas na loucura da luz do seu olhar
saudade buscando o que mudou entre nós
nós?
laminas do tempo em retratos
a distância é uma viagem solitária...

São Pedro – SP - 31/07/2009 – 03h45min

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Perdido

O olhar distante

percorre lento o amanhecer
iluminado pelas cores matinais...
A vida está por começar...
A despertar...
Estavas aqui e distante.
Os olhos perdidos no horizonte,
de outros céus seculares...

São Pedro – SP - 06/09/2008 – 05h23min

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Arrastada...

Perdidas nas palavras


Antes da chuva cair

Recostei-me entre agrados

Dos que não me agradavam

Reuni experiência tão fatal

Que acabou matando em mim

Tudo que era essencial...



São Pedro – SP - 03/08/2008 – 03h55min

Ausência...

Outra parte de mim,


secreta

chora sua ausência,

A alma se divide,

exaurida em esquecer...



São Pedro – SP - 09/07/2008 - 05h35min: 07

É agosto.

É agosto,


o rio se ausenta,

secando pranto...

e o amor aumenta

na trilha do espanto...

em mim,

um doce encanto

por não ser forte mas canto...


É agosto,

as canções extinguem-se

formosas em ondas...

... e caio presa na luz difusa,

dos abraços, dos beijos,

riscados na memória...


São Pedro – SP - 01/08/2008 – 2:00

Ainda um coração...



Os olhos cantam descalços

Com voz de ausência

Cheio de afeto

Na memória quase apagada

Do coração sobressaltado

São Pedro – SP - 02/08/2008 – 03h01min

Beijos imaginários...

Guardo os beijos
Não recebidos
Num baú fechado
Pra não correr o risco de
Perde-los da memória
Beijos sob o chuveiro,
Sabonetes e seu cheiro...
Beijos amassados
Suaves e molhados
Beijos carinhosos
Doce lento rápido
Com gosto de quero mais...


São Pedro – SP - 22/08/2008 - 5:07

Seu nome...


O coração estremece
Gritando baixinho
Seu nome em desuso
Em manso desaguar

São Pedro – SP - 27/08/2008 – 03h45min: 01

Amor... amor... amor...

Ainda esta por vir
o sussurro da noite calma
entre suspiros e ardor...

Misturando
entre a nuca e o arrepio
o calor, velho desejo
no concreto entre ais...

Na boca, no coração,
na mão , entre os pés
farfalhando em gotas
o ar quente desse cais...

São Pedro - 31/08/2008 – 23h45min: 01

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Fran Dotti do Prado Dois

Tenho gravado na alma, poesias de anteontem, daquelas que com sutileza e força penetra na alma, bailando... estrelas...
É assim que Fran Dotti do Prado se apresentou no anteontem...
No grupo de teatro TEU (Teatro Experimental Universitário), da antiga Fafil, Bauru, recebíamos um texto: Metamorfose, transformado em pequena peça de teatro, estava ali a apresentação do Fran para mim, através do livro Momento Exato, que ainda tenho guardado, todo estropiado, quase rasgado, pela ação das mãos e tempo... De tempos em tempos, retiro-me do escrever compulsoriamente e doidamente e coloco aqui nesse blog todo pretensioso, um pouco do que me agrada, e Fran Dotti do Prado é um deles.
Atualizando-me em suas escritas, digo que ainda me agrada ler e perceber que do antigo moço ainda escorre pelas letras um bom moço poeta...
“No momento exato deste ato”, rendo-me feliz ao reencontrá-lo, e como nada na vida é por acaso, deixe o acaso tomar forma e versar nessas trilhas poéticas de antigamente...

São Pedro – SP – 07/09/2009 – 09h34min

sábado, 5 de setembro de 2009

Fran Dotti do Prado


Anoitece

Anoitece e meu olhar se volta para o horizonte
onde a luz do crepúsculo doura a mata.
É o momento em que a natureza celebra
o ritual melancólico do anoitecer.
A tristeza da meia~luz se alastra sobre os rios,
árvores e encostas dos morros,
como se um véu se espargisse sobre eles.
As dimensões aprofundam-se;
uma pedra, um galho, parecem ter mais solidez e individualidade.
Tudo passa a ser individual e a adquirir maior profundidade.
O rio brilha lívido e a gênese da vida
parece se desvendar com o murmurar das águas
Tudo silencia, e a tudo invade uma fadiga,
a energia da terra, selvagem, amortece,
numa sombria serenidade.
Meu rosto brilha na perspectiva quase apagada do sol se pondo.
As pessoas também se mostram mudadas, silenciosas,
parecendo fazer parte de entidades sobrenaturais,
e obedecem impulsos que mal se conscientizam em suas mentes.
Os olhares são voltados para dentro e não há mais ódio nos lábios.
O corpo parece se tornar imaculado e as impurezas se desvanecem.
Um tênue raio de lua riscou o céu!
Grossos troncos de árvores se transformam em castelos encantados.
Todos estão fantasiados para a grande festa da noite ...
Anoitece...

do livro Momento Exato - 1974

Paulo Bomfim

Som distante

Pela janela aberta para o céu de estrelas,
Penetrou, pelo meu quarto a dentro,
O rumor de um corpo que é lançado ao mar!
A eleita de meus sonhos
Teve por última morada
O fundo do Oceano!
Seus cabelos loiros são agora
Mensagens da luz do sol
No abismo das águas.
Seu corpo, muito branco,
Quando livrar-se da mortalha
Que os marinheiros rudes coseram,
Será, na imensa noite oceânica,
Um raio de luar a percorrer abismos.
A eleita de meus sonhos
Teve por última morada
O fundo do Oceano!
Os bancos submersos de corais,
As esverdeadas águas,
Hão de invejar seus lábios rubros
E a cor de seus olhos verdes;
Suas mãos espirituais
Serão estrelas de cinco pontas
Correndo o mundo das águas.
Um corpo amortalhado foi lançado ao mar!
Algo de estranho passou dentro de mim!
Pois sinto-me afastado para sempre
Do círculo vicioso da Esperança!

do livro “Antônio Triste”,
Editora Martins – São Paulo, 1946

J. G. de Araújo Jorge

CONCERTO A 4 MÃOS
(de parceria com Maria Helena)

PENSAMENTO (J.G.):
"Que Pena, meu amor,
nunca mais poder te olhar
com os olhos da primeira vez...

SENTIMENTO (M.H.):
Afasta o pensamento singular
Que tanto mal te fez,
Que a pena, a grande pena,
a maior pena é olhar
Pela última vez...

domingo, 30 de agosto de 2009

Cartola, dispensa qualquer palavra

video

O Mundo é Um Moinho


Compositor(es): Cartola


Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida em cada esquina cai um pouco tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor

Preste atenção

o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida

De cada amor tu herdarás só o cinismo

Quando notares estás à beira do abismo

Abismo que cavaste com os teus pés

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

E dói...

E dói...

Suas mãos entre os cabelos
dilui os pensamentos...

O amor as avessas
serve a alma do outro lado...

Entre luzes escondidas
nos olhos embalados,
embaraçados na vertigem...

E dói...

Voando
sem pressa,
enrodilha o coração,
repleto de afetos...

Se afasta destrancado,
caminhando entre a multidão
esmaecendo... vagarosamente...

E dói...

São Pedro - 08/02/2009 – 21h23min: 01

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fernando Pessoa

Viajar!
Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa, 20-9-1933

sábado, 1 de agosto de 2009

Cisma...

Chove...
seguro o olhar
na água que escorre...

Pela janela quebrada,
pensamento escoa,
tabuleiro luminoso,
cheio de raio de sol...

Imaginários...

Ouço o cantar,
O sorriso,
O olhar,
Afagos...

Amanhece
flores
brotam frias e imaturas,
da meninice encarcerada
nas paredes do tempo...


Sampa - 10/02/1976 – 04h32min: 34
É só saudades...

sábado, 11 de julho de 2009

Pó...


O pó sacudido como palavras caídas
suspiros e emoções selvagens,
carregadas saem rasgando o peito,
transbordado de dor,
explodindo o nó na garganta
esfarela perdido no sopro do vento
transformando em rio violento,
que flui revolto, lavando a alma e afogando mágoas.
emprestando voz inspirada
aos poemas desleixados dos pecados
olhos embaçados de tristeza de saudade
então a gente caminha
agindo e reagindo
autômato, oco e só...


São Pedro – SP - 30/06/2009 - 23h35min

Por amar tanto... por amar menos...

Eu não quero lembrar os dias e horas que os olhos ficaram perdidos, enlutados na esperança do retorno, toca o telefone, nada mais, nenhum som vem dali, parado no tempo do universo desalentado, da ausência sem propósito sem nexo, sem tempo pra acabar! Nunca acaba! Avolumando entre os sonhos, entre a vida, entre os lençóis, pelas frestas da janela, balançando folhas amareladas do outono, prevendo mais um inverno avermelhado em tons gélidos, dentro do coração que não faz mais nenhuma dança apenas pousa inquieto e torto na escuridão. Caminhando pela estrada verde já alaranjada nenhuma alma ou vida, consola essa praga, que assola os contornos mentais, pedindo apenas, um pouco de esquecimento, retornando vozes altas desta saudade, desse amor sem pátria, sem pouso, perdido pelo vento, voando sem encontros, só a sós, nesta andança destemida, ainda arrogante, jogando pelas bordas, em transfusão, apenas ali, observando o inimaginável, dos delírios de uma manhã sem luz, esclarecidas pelas estrelas que caíram...

São Pedro – SP - 13/02/2009 – 24h43min

sexta-feira, 10 de julho de 2009

...aquele amor...

Aquele amor...
Quieto e silencioso
Deslizava suave
Sabor adocicado
Extensão e vida
O barulho ficava fora do alcance
Parando o tempo
Desfazendo a tormenta
Flores espalhadas
Pelo caminho percorrido

Aquele amor...
Abandonando a trilha
Em campa fria
Sem expressão e vida
...vai longe
Despedindo-se...

São Pedro – SP - 10/07/2009 – 21h35min

domingo, 21 de junho de 2009

Só saudades...

A noite
roubo estrelas
e na poesia
o vazio
de sua ausência
me prega afoita
os olhos na estrada
na ribeira...
em expectativa...


São Pedro – SP - 04/02/2009 – 23h23min

domingo, 7 de junho de 2009

Olhos

Pela porta entreaberta
O brilho suave dos seus olhos
Fragmenta-se entre gotas
Fragrância da boca desliza
Entrecortando ar
Doce vergonha é o seu sorriso
O tempo voa varrendo seu rosto
E exala nuanças como quem principia
Andando na rua
No sol de verão
Tão varão
Coletando eternidade


São Pedro – SP - 10/09/2008 – 06h00min

terça-feira, 2 de junho de 2009

Versos...

Faço versos melancólicos
Desfolhados
Loucos
Buscando ouvir sua voz
Gravada na alma
Entre dias e noites
Cheias de uma solidão sozinha
Desacostumada a não sonhar

São Pedro – SP - 01/07/2008

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Seu olhar me beija...


Seu olhar me beija
Prendendo-me docemente
Enlaçando minha alma
Em fragmentados momentos
Despenteando em pingos
O peito em harmonia e encanto...

18/06/2008

terça-feira, 28 de abril de 2009

Não... Não me chame de amor...


Não... Não me chama de amor,
ao ouvir me perco nas trilhas da paixão...

Algo novo, difuso, desponta,
e eu que já vivi não consigo fugir...

Não... Não me diga dos seus desejos,
ao encontrar os meus
emparelha entrincheirado no amor...

Ontem, hoje, amanhã,
dias e horas,
milênios talvez,
sem poder tocar, sentir, acalentar...

És uma sombra colorida,
um toque de telefone,
uma voz na noite...
fazendo silencio barulhento...

Cuiabá – MT - 06/11/1998 – 05h23min

sábado, 25 de abril de 2009

Ah! Saudades...


Tênue réstia de luz,
Faz voar o pensamento,
Entrar distraidamente,
Na saudade,
Saudade dos nossos encontros,
Pela noite e madrugada afora,
Das manhãs ensolaradas,
Dos recados deixados,
Dos bons dias animados,
Do mau humor matinal,
Dos beijos diferenciados,
Dos olhares descarados,
Das piadas sem graça,
Das musicas trocadas...
Das confidencias passadas...
Ah! Saudades...

São Pedro – SP - 30/06/2008 – 09h24min


terça-feira, 21 de abril de 2009

Às avessas...



Enquanto a luz do sol vai embora,
a solidão atravessa a alma vazia...

E os nossos dias
vão caindo em desuso...

A saudade
regressa pasmada
relembrando sua boca
marejando a minha...

Oscilando entre a vontade e o mergulho...

Emanando brilho claro
aos prantos e em apelos
nessa jornada única
de solidão e fome,
anseios e isolamento...

São Pedro – SP - 09/02/2009 - 23h21min

segunda-feira, 23 de março de 2009

Gotas...


Invisível e distante
como gotas
dependuradas a cair
o amor encerrado
no ciclo desanuviado
pousando acobertado
em outra alma,
despudorado!


São Pedro - SP - 31/05/2008

sábado, 21 de março de 2009

Carlos Drummond de Andrade é sempre Bom!

JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,

a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos, que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência, seu ódio - e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar, mas o mar secou;
quer ir para Minas, Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre, você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,
sem teogonia, sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

São Pedro, SP, 21/03/2009

sábado, 7 de março de 2009

Vazio


Nas palavras inversas
Os versos fazem algum sentido?
O melhor sentido é o sem destino
Aportando em versos do silencio...

São Pedro - 17/09/2008 - madrugada

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Recebendo mais um selo

Obrigada Belzinha, http://cantinhodabelzinha.blogspot.com/ , pela indicação.

Vamos às regras:

1-Colocar o link de quem te indicou para o meme.
2-Escrever estas 5 regras antes do seu meme pra deixar a brincadeira mais clara.
3-Contar os 6 fatos aleatórios sobre você.
4-Indicar 6 blogueiros pra continuar o meme.
5-Avisar para esses blogueiros que eles foram indicados


Um pouco de mim:

1 – Eu não esqueço e só falo insignificâncias,
2 – Sou escandalosa, desafino e sou destemida,
3 – Adoro viajar planetas, cometer pecado e encontrar enigmas,
4 – Sou cúmplice de afetos,
5 – Não sou genial, mas geniosa,
6 –Sou rabisco das palavras que escrevo...

Meus indicados são:

1- Eucaliptos na janela
http://eucaliptosnajanela.blogspot.com/

2- Raiz de cem
http://gritosverticaisdanaturezapoetica.blogspot.com/

3- Começa a haver
http://comecaahaver.blogspot.com/

4-Compartilhando as letras
http://evelyns-place.com/compartilhandoasletras/

5-Poética herética
http://poeticaheretica.blogspot.com/

6-Alma de poesia
http://almadepoesia2007.blogspot.com/


E assim caminhamos compartilhando...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Maré




Horas,
impossíveis do amor que me impulsionam
Horas,
invisíveis da dor que me acalentam
Horas,
musicadas me conduzindo aos versos que te fiz
Horas,
acobertadas pelos dias que não te vi
Horas,
sussurradas em compasso de espera
Horas,
acumuladas em horas
da sua ausência...

São Pedro - SP -29/07/2008

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Entardecer...

Amor,
começa a entardecer...

Nas rugas do tempo envelhecido
o céu pincela cores
na espera da lua chegar...

Amor,
O sol cai abrasador...

Dentro da água e sal
o infinito adormece proscrito
na espera de desabrochar outro dia...

Amor,
a lua majestosa brilha entre estrelas...

Anunciando sossegada
nas dobras da noite
amores desencontrados...


São Pedro – SP - 13/06/2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Descalça

Descalça sob a noite
caminhando entre estrelas
sem rumo
junto ao ar noturno
pelas calçadas quebradas
perambulando pelos sentidos
frustrada
... ao me sentir perdida...

São Pedro – SP - 01/10/2008 – 02h32min

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Encontro na separação...

Do outro lado do rio você sempre é
a outra margem a alcançar...

um dia... nos roçamos de leve...

uma noite... abraçamos os soluços...

na madrugada... navegamos separados...

hoje... náufragos...

em segredo permaneço na sua memória?

não se alarme...

eu vivo escondida...

São Pedro – SP - 05/04/2008 – 05h32min: 01

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

No escuro...

No escuro
sussurro um desabafo
escorrido e repetido
como um fantasma
entre sombras
a espreitar valente
o choro na garganta
a vida entre os olhos
a saudade entre os dedos...

São Pedro – SP - 30/08/2008 – 02h45min: 21

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Chove estrelas...

Chove estrelas
deste céu impossível
na madrugada quente
agigantada e quieta
vagueando por velhas trilhas
são sonhos em forma de luz
são luzes em forma de flores
baú de azuis...



São Pedro – SP - 15/09/2008 23h55min: 05

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Hoje é dia de Cecília Meireles

Supérfluo

A chuva coloca no bico dos pássaros
um guizo d' água.

A tarde levanta da verde folhagem
um espuma de aroma.

Uma vida, quase a teus pés, dirige-te
um terno pensamento.

Oh, as pequenas coisas supérfluas
extraviadas no mundo.

Quem ouve?quem vê? quem entende?

pagina 48

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Querência


Queria o mundo todo dentro do chafariz
E você nu na taça de aniz...
A descer pela garganta, puro,
A sapatear encantado,
Ao som do coração amado...

São Pedro - 22/06/2008 – 04h32min: 21